Não entendo o encanto das fotografias panorâmicas. Já tentei, mas sempre fiquei longe de entender a sua graça, ou de ouvi o seu apelo. Seja por não ter vistas grandiosas, amplas e magistrais no meu dia-a-dia, ou por considerar que a plasticidade de andar a coser imagens num software qualquer, este formato não me tem cativado.

Faz uns meses largos que vi um vídeo do Nick Carver, onde este fala sobre usar a sua 6x17 para fotografar uma cena na cidade. Não foram paisagens esplendorosas, ou localizações impossíveis. O tipo foi até ao parque de estacionamento da praia mais próxima e fotografou umas árvores.  Confesso que, por um lado fiquei curioso em experimentar, por outro raramente dou uso às minhas grandes angulares. Depois temos o preço pornográfico que uma máquina analógica de formato panorâmico custa. Então deixei a idea de molho.

Mas, eis senão quando, o Universo decide que eu devia mesmo experimentar o formato (isto é tudo balelas claro, mas precisava de uma justificação para gastar mais dinheiro na fotografia) e coloca um link para a Realitty So Subtle à minha frente. Uma pinhole de médio formato, a preço acessível, com formato 6x17? Tive de aproveitar claro. Dois meses depois (sim, o James só as faz de vez em quando) tive a oportunidade de, pela primeira vez na minha vida, fazer uma foto panorâmica. 

Para por este caixote a funcionar, primeiro é preciso superar os 12 trabalhos de Hércules. Depois é preciso carregar um caixote de acrílico mais um tripé, fotómetro e afins até ao destino. Tirar um curso em engenharia civil, para garantir que fica tudo nivelado ao milímetro, aplicar uns cálculos marretas para decidir qual a frame em que deveríamos estar e, se ainda sobrar energia, tirar uma foto.



São 4 por rolo e depois é preciso voltar à difícil tarefa de carregar um novo rolo. Eu disse difícil? Desculpem, queria dizer tortuosamente complicada, horrivelmente minuciosa, um castigo cruel e invulgar mesmo. Se não tiverem dedos anorécticos, preparem-se para uns longos e complicados minutos. Mas retirando isso da equação, a minha nova amiga é um gozo de usar. Para uma máquina esténoipeica tem uma definição bem interessante, afinal de contas os seus f233 foram minuciosamente furados a laser. O que a faz ser um pesadelo de carregar (plano de filme curvo) é o mesmo que faz com que a luminosidade entre os limites do fotograma e o seu centro seja tão equilibrada, o que é óptimo.

E no fim de contas, como foi a experiência? Foi muito interessante. As fotos saíram mais equilibradas do que pensava. Os guias de enquadramento no corpo do caixote resultam muito bem. Os seus 2 "obturadores" funcionam lindamente. Continuo sem entender o encanto deste formato, mas que tem sido divertido andar à sua procura, lá isso tem.





Copyright © Rui Pedro Esteves 2017 Direitos Reservados

0 Comentários: