Se ficasse preso numa ilha deserta e só pudesse levar meia dúzia de coisas, uma delas seria um poste de electricidade. Porquê? Porque é dos meus motivos favoritos de fotografar. Essas estruturas, que não têm semelhança alguma com um falo, têm um encanto difícil de descrever. Principalmente quando estão no meio da natureza, a deixar bem marcada a presença do Homem.

Não sei bem como é que levaria um para a ilha, mas isso também não importa. Como se por magia ele lá se plantasse, com os seus cabos ligados a lado nenhum, lá estaria imponente para me fazer companhia e combater o tédio. Chamar-lhe-ia Miguel. Miguel é um bom nome, bem melhor que Wilson, não acham?

Com todo o tempo que teria, daria para fazer um ensaio sobre um poste de electricidade e o seu relacionamento com a condição Humana. Claro que depois teria que revelar e ampliar as imagens. Não sei bem como, nem onde iria obter película e papel. Ou químicos. Ou ter acesso a um ampliador, electricidade, tinas, espirais, tanques de revelação, molas, tesouras, água corrente, etc.

Mesmo ultrapassando todos estas questões menores, a quem apresentaria eu o trabalho? Ao Miguel? Só? Valerá a pena ficar perdido numa ilha deserta para expor o trabalho só para uma pessoa? E se essa pessoa, mesmo que imaginária, não gostasse do trabalho? Seria constrangedor? 

É possível que o plano precise de umas afinações. Talvez, não sei.


Hasselblad 500 CM | Carl Zeiss Distagon 50mm f4 C | Ilford FP4 125
50mm | ISO 100
Pyrocat HD 1+1+100 | 2 inversões a cada 4 minutos | 18 minutos a 21ºC

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